OS “PELEGOS” ESTÃO DE VOLTA
É com muita tristeza que assisto, à distância, a repercussão do 51° Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) que ocorre em Brasília. A abertura do evento na última quinta, 16 registrou um coro entusiasmado com mais de três mil estudantes saudando Lula e sua preferência por Dilma Roussef em 2010.Conforme disse muito bem a matéria do Jornal Estado de São Paulo: “algum desavisado poderia pensar tratar-se de uma convenção petista”. Mas a justificativa para tanto puxa-saquismo e bajulação exacerbados estão nos seguintes números: de 2004 para cá a UNE já recebeu mais de R$ 10 milhões do governo federal a fim de custear diversas atividades. A maior expressão do “peleguismo” social está na UNE dos dias atuais. Afirmo isso com mágoa no coração, afinal sempre fui militante do movimento estudantil entre 1999 e 2006 quando ainda estive na vida acadêmica como aluno da graduação. Inclusive, fui diretor da entidade entre 2003 e 2005. Ali ainda se fazia um debate qualificado acerca da reforma universitária proposta pela União e implementada de forma parcial pelas universidades do país.Pior ainda é perceber que esta postura conformada e atrelada ao oficialismo da UNE atinge forças políticas ligadas à juventude brasileira. A JPMDB Nacional, por exemplo, neste ano, sequer cogitou em lançar tese própria ao 51° Conune. Preferiu conduzir alguns delegados ao evento sem saber o que fazer. Nos congressos de 2003 e 2005 além de delegações expressivas da JPMDB tivemos duas teses independentes: Tirando o Atraso (2003) e Quero Mudar o Brasil com Ética (2005). Reconheça-se o esforço e competência da JPMDB/RS nesse processo.Falta a UNE aderir aos movimentos políticos de Lula favoráveis à manutenção de José Sarney na presidência do Senado e à candidatura de Fernando Collor ao governo de Alagoas. Ou, saudar atitudes do passado petista como o apoio velado a Paulo Maluf, contra Tancredo Neves no colégio eleitoral e a não participação do partido na Assembléia Nacional Constituinte quando da redemocratização.Enquanto isso o ensino público superior, embora existam alguns avanços importantes, continua às turras com a realidade nacional. O maior número de instituições que ofertam o ensino superior está na rede privada: 92,5% de faculdades e 96,7% de centros universitários conforme dados do INEP. Também é relevante dizer que somente 11% dos jovens entre 18 e 24 anos dos jovens têm acesso à educação superior no Brasil. De 4,6 milhões de alunos brasileiros matriculados na graduação, apenas 1,2 milhões (26%) estão na rede pública. Com isso, o governo federal gasta cerca de R$ 490 milhões para coibir a evasão no ensino superior público.A atenção e construção de alternativas a estes poucos dados e outros tantos não revelados, mas que compõe significativas mazelas da educação superior no Brasil não está na pauta da UNE. Infelizmente, pois a vanguarda que deveria servir para apontar os problemas e suas respectivas soluções está no movimento estudantil que hoje tornou-se adesista e atrelado sem nenhum respeito à sua história de lutas e resistência.Assisto, hoje, como já formado e aluno da pós-graduação com extrema indignação e pouca esperança de que isso possa mudar. Mas ainda há um alento: o surgimento de novas lideranças nacionais e a retomada de valores e figuras que acreditam num país de todos e sem projetos espúrios de poder.
André Carús
Nenhum comentário:
Postar um comentário